Quem trabalha na saúde entende de cuidar de gente, não de imposto. O problema é que muitos profissionais pagam mais imposto do que precisariam, só porque nunca revisaram a estrutura do negócio. Por isso, entender o básico da contabilidade para médicos ajuda você a fazer as perguntas certas ao seu contador.
Neste artigo você vai ver:
- por que atender só como pessoa física costuma sair caro;
- o que muda quando você abre um CNPJ;
- quais regimes tributários as clínicas costumam comparar;
- o que é a equiparação hospitalar e quando ela se aplica;
- por que cada caso precisa de análise.

Por que atender só como pessoa física costuma sair caro?
Muitos profissionais começam atendendo como pessoa física, emitindo recibo e recebendo direto do paciente. No começo, tudo bem. O problema aparece quando o faturamento cresce.
Como pessoa física, o Imposto de Renda pode chegar à alíquota de 27,5%, e ainda tem o INSS por cima. Além disso, desde janeiro de 2025 os recibos de serviços de saúde precisam ser emitidos pelo Receita Saúde, a ferramenta digital da Receita Federal. Assim, quando os atendimentos aumentam, esse modelo quase sempre deixa de compensar.
Contabilidade para médicos: o que muda com um CNPJ?
Na contabilidade para médicos, ter CNPJ costuma organizar a vida financeira e pode deixar o imposto mais adequado ao seu faturamento. Mas atenção: abrir empresa é só o começo. Na prática, o que define quanto você paga é o regime tributário escolhido. E aqui cada caso é um caso.
Quais regimes a contabilidade para médicos costuma comparar?
As duas opções mais comuns na contabilidade para médicos são o Simples Nacional e o Lucro Presumido.
Simples Nacional e o Fator R
No Simples Nacional, os serviços médicos podem cair em anexos diferentes, e isso muda bastante a alíquota. A regra que decide é o chamado Fator R, que compara o gasto com folha de pagamento ao faturamento.
Se a folha, incluindo o pró-labore, chega a 28% do faturamento, a clínica fica no Anexo III, que tem alíquotas menores. Abaixo disso, ela vai para o Anexo V, que é mais caro. Parece detalhe, mas faz diferença no fim do ano.
Lucro Presumido
No Lucro Presumido, o imposto é calculado sobre uma parte presumida do faturamento. Para muitas clínicas, principalmente as maiores, esse regime pode ser mais vantajoso. Além disso, é nele que entra um ponto que pouca gente conhece direito.
O que é a equiparação hospitalar e quando ela se aplica?
A equiparação hospitalar é uma regra da lei que reduz a base de cálculo de alguns impostos no Lucro Presumido. Em vez de o imposto incidir sobre 32% do faturamento, ele pode incidir sobre 8% no caso do IRPJ e 12% no caso da CSLL.
Parece ótimo, e pode ser. No entanto, precisa ser dito com honestidade, porque tem muita gente prometendo o que não pode entregar. Para ter direito, a clínica precisa:
- ser uma sociedade empresária, registrada na Junta Comercial;
- estar no Lucro Presumido;
- seguir as normas da Anvisa e ter as licenças compatíveis;
- prestar serviços de maior complexidade, e não apenas consultas simples.
Foi isso que o Superior Tribunal de Justiça definiu: o que vale é a natureza do serviço, e não ter leito ou ser um hospital. Ou seja, consulta de rotina não entra. Já procedimentos com mais complexidade, estrutura específica ou risco clínico podem entrar. Por isso, na contabilidade para médicos, essa análise precisa ser feita caso a caso, para não virar problema com o Fisco depois.
Clínica que fatura mais de R$ 5 milhões por ano
Desde 2026, a Lei Complementar 224/2025 aumentou em 10% os percentuais do Lucro Presumido sobre a parte do faturamento que passar de R$ 5 milhões no ano. Com isso, nessa parte excedente, os 8% viram 8,8% e os 12% viram 13,2%. A equiparação continua valendo, mas a conta precisa considerar essa mudança.
Perguntas frequentes sobre contabilidade para médicos
Vale mais a pena ser pessoa física ou abrir empresa?
Depende do faturamento. Enquanto os valores são baixos, a pessoa física pode dar conta. Conforme os atendimentos crescem, o CNPJ costuma organizar melhor e adequar o imposto. O ideal é comparar os cenários com números reais.
Toda clínica tem direito à equiparação hospitalar?
Não. Ela depende de requisitos, como ser sociedade empresária, estar no Lucro Presumido, seguir as normas da Anvisa e prestar serviços além de consultas simples. Cada caso precisa ser analisado.
O que é o Receita Saúde?
É a ferramenta da Receita Federal, no aplicativo ou no computador, pela qual os profissionais de saúde emitem os recibos dos atendimentos feitos como pessoa física.
Resumo da contabilidade para médicos
- Atender só como pessoa física costuma pesar quando o faturamento cresce.
- O CNPJ organiza a vida financeira e pode adequar o imposto.
- No Simples, o Fator R decide entre o Anexo III e o Anexo V.
- No Lucro Presumido, a equiparação hospitalar pode se aplicar, mas só com os requisitos cumpridos.
- Tudo depende de análise feita com os seus números na mão.
Fale com quem entende de contabilidade para médicos
Na Virtus, a gente é especialista em contabilidade para médicos e para toda a área da saúde. Analisamos a sua realidade, comparamos os cenários possíveis e mostramos, com clareza, qual estrutura faz mais sentido para o seu caso.
É médico, dentista ou tem uma clínica e nunca revisou isso? Fale com a equipe da Virtus.
Fonte: Receita Saúde (COAD, com informações da Receita Federal)



